ABERTURA DO ENCONTRO DOS SECRETARIOS DAS MISSÕES

LUANDA 09 – 13 DE Março de 2009

 

Prezado Pe. Secretario Geral das Missões

Prezado Pe. Coordenador de Zona

Prezados Secretários das Missões da Zona AFRAM

Estimados confrades da Província verbita de Angola aqui presentes.

 

Gostaria em nome da Província de Angola e dos meus confrades, dizer-vos uma palavra cheia de gratidão pelo facto da nossa Província ter sido designada pela Zona para acolher este encontro tão importante dos Secretários das Missões a Nível de AFRAM.

 De facto, se nos pormos a contar os Encontros a nível da Zona, para não falar da Congregação, que se tenham realizado em ANGOLA, não passam nem a metade dos dedos de uma mão. A dificuldade da Língua, a guerra que durante muitos anos assolou o país e a falta de infra-estruturas suficientes são entre outras as razões que desencorajaram quase sempre o acolhimento de eventos aqui na Província.

 

A escolha de Angola anima-nos porque nos sentimos chamados, mais do que nunca, neste momento em que recentemente celebramos o Centenário da morte dos nossos santos fundadores, sob o lema “que bela é a vida entregue pela Missão”, a continuar a realizar o Êxodo até as situações em África e particularmente em Angola, na qual não em poucas ocasiões se humilha a condição humana, despindo-a da sua dignidade. Por essa razão somos chamados de distintas nacionalidades e em sintonia com o bonito lema da Canonização do nosso fundador “ muitos rostos e um só coração” tentamos colaborar na superação da dor e do sofrimento dos angolanos, como muito bem o expressa A VISÂO- do Projecto missionário da Província de Angola: “ Inseridos na realidade actual de paz e de reconstrução nacional - em que não obstante, muitos homens, mulheres e crianças, vivem em situação de vulnerabilidade, nós missionários do Verbo Divino, impelidos pelo nosso estilo de vida  e carisma, olhamos com esperança o futuro do nosso povo, e sentimo-nos chamados a viver o dialogo profético, no anuncio da esperança e da justiça e no compromisso da cultura da vida, paz, reconciliação e perdão”

 

A nossa fonte, a nossa raiz é a Santíssima Trindade que nos chama de varias nações para anunciar a sua palavra e proclamar o seu Reino entre os Povo de Angola e da África em Geral. Na actual Angola, o panorama sócio político e económico mudou, tudo parece novidade, os anos tristes de guerra e fome, mortes e ódios, parecem ficar na história de um passado recente que todos querem virar pagina. No quadro sociopolítico devemos expressar que Angola está vivendo um momento único e privilegiado. Com o alcance da Paz em 2002, a Nação estava mergulhada na miséria e humilhação. No mesmo ano Angola na conferência de doadores solicitou uma linha de Crédito aos países ocidentais para a Reconstrução. Lhe foi negada por corrupta. Aproveitando-se dos seus recursos energéticos e da necessidade de China desses recursos, Angola teve uma linha de Crédito da China que, utilizou para acabar com a fome e a miséria e começar a reconstrução do país. As eleições legislativas do ano passado, encheram de esperança ao povo angolano, passando assim de uma segunda Republica que foi a Época de Transição para uma terceira República que vai culminar com a promulgação da Nova Constituição e as eleições presidenciais este ano. O recente périplo de José Eduardo a China, a Alemanha e a Portugal onde estas nações se prontificaram em ajudar na Reconstrução, apesar da Crise Económica, vem galvanizar esse momento único que Angola está vivendo. Não obstante, estes sinais positivos, abundam os sinais em que o homem e a mulher angolanos são humilhados, marginalizados da sociedade de consumo e das benesses das riquezas e recursos naturais. Falta água de Consumo, a falta de electricidade, a falta de vivenda e falta de universidades, a cultura da corrupção, as mortes por doenças evitáveis e o desemprego de angolanos em detrimentos dos estrangeiros, ainda constituem o quadro entristecedor da nossa sociedade. Por isso, para nós verbitas a nossa mensagem é simples. Mas do que anunciar o Verbo de Deus que vai ao encontro de uma geração tecnicamente capaz, necessitamos de uma geração capaz de questionar a técnica e até mesmo o desenvolvimento. Uma juventude capaz de repensar o país. Mas do que gente preparada para dar respostas, necessitamos de capacidade para fazer perguntas. Angola não precisa apenas de caminhar, necessita de descobrir o seu próprio caminho, num tempo que corre rápido e numa Angola que parece sem rumo. A bússola dos outros não serve, o mapa dos outros não ajuda. Necessitamos inventar os nossos próprios pontos cardeais. Interessa-nos um passado que não esteja carregado de preconceitos, interessa-nos um futuro que não nos venha desenhado como uma receita financeira. Necessitamos de ajuda, não de dependência, necessitamos de fraternidade e solidariedade e não de complacência: África e Angola necessita de fazer o seu caminho, necessita de ajuda e entrega de outros povos e nações irmãs, mas sempre consciente de que ela afinal de contas deve ser a protagonista do seu destino.

 

 No plano religioso, a situação ainda reclama a primeira Evangelização. Não deixa de ser curioso falar nesta primeira Evangelização, num momento em que o papa justificou a sua visita a Angola como sendo uma ocasião para celebrar connosco os 500 anos de Evangelização: muitas paroquias (até mesmo urbanas e semi- urbanas apresentam esse desafio de Primeira Evangelização. Não há duvida que o Santo Padre vem a Angola porque a maior percentagem da população é católica e a totalidade da população é Cristã. Porque Angola é um dos primeiros país da África Negra a receber a fé Cristã. O primeiro bispo negro, foi angolano, embora Angola fosse Congo, nessa altura. Por isso, Santo padre vem como enviado de Cristo e como sucessor de Pedro, vem confirmar esta Igreja na fé. Assim a Igreja local, os leigos e o povo em geral, mas que por uma pura expectativa mediática, deve estar consciente em preparar os seus corações para acolher a mensagem do Santo Padre, como uma autentica dádiva do Senhor para continuar trilhando os caminhos da Paz e Reconciliação. A Igreja local deve assumir o protagonismo e nós missionários temos que mostrar a humildade de assumir a postura de João Baptista: Ela tem que crescer e nós temos que diminuir”. Por isso nós missionários temos que assumir uma atitude de inculturação e recuperar aquele ardor missionários dos primeiros Evangelizadores da fé, e num autêntico Dialogo que é também profético, expressar o Evangelho, mediante uma linguagem nova, em autentica simbiose com a cultura que nos acolhe. Assumir hoje uma atitude de inculturação é viver um novo Pentecostes, é uma condição iniludível para fazer efectiva a catolicidade da Igreja em Angola e na África do Futuro.

 

 

Continuamos a Missão de Cristo como nossa Missa. Somos sócios do Verbo na medida em que saímos ao encontro do Outro com atitude de solidariedade respeito e amor, “ conscientes de que no povo e nas culturas já existem as sementes do Verbo, Deus já existe muito antes da nossa Acção Evangelizadora”. ( Gaudium et Spes 3). 

 

A estrutura conceitual do Apostolado Ad Extra do 15th Capítulo Geral denominado as quatro dimensões características e o quadro conceitual do Apostolado Ad Extra manifestado na Espiritualidade, comunidade, liderança, finanças e formação, devem ajudar-nos a ser uma comunidade em Discernimento Constante, afinado as nossas vidas pela radicalidade do Evangelho e pelas constituições do Verbo Divino, que são afinal de Contas a nossa leitura do próprio Evangelho. Que este encontro dos Secretários das Missões nos ajude a reencontrar os caminhos para continuar a fomentar a Consciência missionaria, a velar pelo bem-estar dos Missionários e a procurar formas de obter recursos materiais para o serviço da Missão.

 

 

 Bem Vindos à Angola,

Sintam-se em Casa.

Pe. Zeferino Zeca Martins, SVD

Superior Provincial

 

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FR. PROVINCIAL’S ADDRESS AT THE OPENING OF THE WORKSHOP FOR MISSION SECRETARIES

OF THE AFRAM ZONE LUANDA, MARCH 9-13, 2009

 

Reverend Father Mission Secretary General,

Reverend Father Coordinator of the Zone,

Reverends Fathers Mission Secretaries of the Zone AFRAM,

Dear confreres of the Province of Angola here present,

 

I would like, in the name of the Angolan Province and of my confreres, to express my deep gratitude for choosing our Province to host this very important Workshop of the Mission Secretaries in the AFRAM Zone.

 

If we count the number of meetings held in Angola in the Zonal level and in the SVD in general there were only few. It is due to the language problem and also for other reasons like that of the war which has perturbed us for many years and also the lack of proper structures.

 

The choice of Angola is encouraging us because we feel to be called as ever, in this moment where we celebrate the Centenary of the death of our Holy Founding Fathers, with the theme: « How precious is the life given to the mission, » to continue to achieve the Exodus towards the situations of Africa and in particular in Angola, where there is today still the humiliation of the human condition denuded of his dignity. For this reason we are called from the different nationalities and in concordance with the very beautiful theme of the canonisation of our Saints: “One heart, many faces” we invite ourselves to collaborate in order that we surpass the pain and the suffering of the Angolans, as it is well expressed in the Vision of the Missionary Project of the Province of Angola: “emerged in the actual situation of peace and national reconstruction in which many men, women and children live in vulnerable situations, we, the Divine Word Missionaries, impelled by our way of life and charisma, we look at the future of the people with hope, and we feel called to live the prophetic dialogue in the proclamation of hope and of justice as well as in the engagement in the culture of life, of peace, of reconciliation and of pardon.”

 

Our source is the Most Blessed Trinity who calls us from the different nations to announce the Word and proclaim his Kingdom to the people of Angola and to Africa in general.

 

In today’s Angola, the socio-political and economic panorama has changed. Everything seems new, the dark years of war and famine, the mourning and hatred, seem to be left behind in the history of the past which everybody wants to forget and to turn the page. In the socio-political realm we note that Angola is undergoing the experience a unique and privileged moment. As peace was achieved in 2002 the nation was in misery and humiliation. On the same year Angola has asked funds from the Occident for the reconstruction during the Conference of Donors. It was refused due to too much corruption existing in the Angolan State. Taking advantage of its energy resource and the need of it in China, Angola obtained a credit from this country which was used to eliminate famine and start the reconstruction of the country. The legislative elections of last year has filled the hope of the Angolan people which lent him the passage to the Second Republic, the transition period which in turn opens the way to the Third Republic whose realisation culminates with the promulgation of the New Constitution and the presidential elections this year.

 

The last trip of the President José Eduardo in China, in Germany and in Portugal, the countries which have offered to give aid for the reconstruction, despite the economic crisis, has highlighted this unique moment that Angola is experiencing. Yet, despite these positive signs, the negative signs still abound: Angolan men and women are humiliated, marginalized from a consumerist society deprived of the benefits of the riches as well as of natural resources of the country. The lack of potable water and electricity, of good housing conditions and of universities, the culture of corruption, the number of deaths caused by sickness which could have been avoided, the lack of employment of the Angolans in favour of strangers, still constitute the sad picture of our society. That is why the message for us SVDs is very simple and clear. More than the proclamation of the Word of God which encounters a technically able generation, we need a generation capable of questioning the technology itself and development - a youth capable rethinking the country. More than having people ready to give answers we need people capable of asking questions. Angola does not only need to move on, she needs to pave its own way, in these times where the pace goes so fast, in an Angola which seems to have no bearing.

 

The compass coming from others are useless, the map from others is of no help. We need to establish our own cardinal points. That which interests us is a past not charged with prejudice. We are interested also in a future which does not come to us in the form of a design like a financial prescription. We need help, not dependence; we need fraternity and solidarity, not indulgence. Africa and Angola need to determine its way. They need help and funds from other peoples and sister nations, but always conscious that they are the primary actors of their destiny.

 

In the religious realm, the situation still needs primary Evangelisation. In her history Angola remains, in sub-Saharan Africa, the first land that has embraced the Christian faith and has given the first black bishop. The first Cathedral in the same part of Africa was built here, in Mbanza Congo. And yet she still needs Evangelisation. It is curious to think about it, in this moment when the Pope justifies his visit to our country as an occasion to celebrate with us the 500th year of the first Evangelisation. Many Churches, urban and suburban, present this challenge of Evangelisation. Without doubt the Holy Father comes to Angola also to visit this country - the majority of who profess the Catholic faith and the rest of the population are Christians. The Holy Father comes as the ambassador of Christ and as successor of Peter. He comes to confirm this Church in faith. Thus for the local Church, the lay and the people in general, it is not only a matter of mass media expectation but most of all a call to the conscience, in the preparation of the hearts to welcome the message of the Holy Father as a gift coming from God in order to continue its march on the way of peace and of reconciliation. The local Church has to take the lead seriously. As to us missionaries, we have to show our humility, imitating the stance of John the Baptist: "He must increase and I decrease".

 

That is why we the SVDs, we should have the good attitude towards inculturation and revive the missionary zeal of the first Evangelizers of the faith. We should express the Gospel in a new language in an authentic prophetic dialogue, in authentic symbioses with the culture that received us. Keeping such attitude is living a new Pentecost, it is a condition without illusion to make the catholicity of the Church in Angola and in Africa be effective in the future.

 

We continue the Mission of Christ as our Mass. We are the companions of the Word in the way that we go to the encounter of the other with an attitude of solidarity, of respect and love, conscious that in the heart of the people as well as in his culture there are already the grains of the Words, God was already there even long before our Evangelical activity (Gaudium et Spes 3).

 

The conceptual structure of the Apostolate ad-extra of the 15th General Chapter called « the four characteristic dimensions » and the frame ad-extra manifested in the different areas like spirituality, the community, the leadership, the finances and the formation, must help us to be a community in constant discernment en accordance with our lives through the radicalism of the Gospels and the Constitutions of the SVD which constitutes our reading of the Gospel. May this Workshop of the Mission Secretaries help us find again the roads to continue forming our missionary consciousness, the care of the well-being of the missionaries and the research of the better forms to obtain the material means for the service of the Mission.

 

Welcome in Angola,

Feel at home!

 

P. Zeferino Zeca Martins, SVD

Provincial Superior

 

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ALLOCUTION DU PROVINCIAL  A L'OUVERTURE DE LA RENCONTRE DES SECRETAIRES DES MISSIONS DE LA ZONE AFRAM

LUANDA DU 09 AU 13 MARS 2009

 

Révérend Père Secrétaire Général des Missions,

Révérend Père Coordinateur de la Zone,

Révérends Pères Secrétaires des Missions de la Zone AFRAM,

Chers confrères de la Province de l'Angola ici présents

 

J'aimerais, au nom de la Province de l'Angola ainsi que de mes confrères, vous adresser un mot plein de remerciement, pour avoir choisi notre Province afin d'accueillir cette rencontre si importante des Secrétaires des Missions au niveau de la zone AFRAM.

 

S'il faut comptabiliser toutes les rencontres réalisées en Angola au niveau zonal et même au niveau de la Congrégation, elles sont peu nombreuses. Cela est aussi dû à la difficulté de la langue et d'autres facteurs comme celui de la guerre qui nous a dérangé pendant plusieurs années, ainsi que la manque de structures suffisantes.

 

Le choix de l'Angola anime nos esprits parce que nous nous sentons appelés, comme jamais, en ce moment où nous fêtons le Centenaire de la mort de nos Saints Fondateurs, sous le sujet: "Comme elle est belle la vie donnée en mission", à continuer à réaliser l'Exode jusqu'aux situations de l'Afrique et en particulier en Angola, où il y a aujourd'hui encore, l'humiliation de la condition humaine, en déshabillant sa dignité. Pour cette raison nous sommes appelés de différentes nationalités et en symphonie avec le si beau sujet de la canonisation de nos Saints "Un seul coeur et plusieurs visages" nous nous invitons à collaborer afin de surmonter la douleur de la souffrance des Angolais, comme bien l'exprime la Vision du Projet Missionnaire de la Province de l'Angola: "plongés dans la réalité actuelle de paix et de reconstruction nationale dans laquelle pas mal d'hommes, de femmes et d'enfants vivent en situation vulnérable, nous, les Missionnaires du Verbe Divin, poussés par notre style de vie et notre charisme, nous regardons l'avenir du peuple avec espoir, et nous nous sentons appelés à vivre le dialogue prophétique, dans l'annonce de l'espérance et de la justice ainsi que dans l’engagement de la culture de la vie, de la paix, de la réconciliation et du pardon"

 

Notre source c'est la Très Sainte Trinité. C'est Elle qui nous appelle de différentes nations afin d'annoncer sa Parole et proclamer son Royaume entre les peuples de l'Angola et de l'Afrique en général.

 

Dans l'actuelle Angola, le panorama sociopolitique et économique a changé. Tout semble nouveau, les années sombres de guerre et de la famine, du deuil et la haine semblent rester dans l'histoire d'un passé qui tout le monde veut bien oublier et tourner la page. Dans le cadre sociopolitique nous devons souligner que l'Angola est en train de vivre un moment unique et privilégié. Avec la paix atteinte en 2002, la nation était dans la misère et dans l'humiliation. En cette même année l'Angola avait sollicité des fonds auprès de pays occidentaux pour la reconstruction, lors de la Conférence de donateurs. Cela lui a été refusé, avec comme argument la corruption accentuée existante dans l'état angolais. Profitant de ses moyens énergétiques et du besoin de la Chine, l'Angola a ouvert un couloir de fonds avec ce pays. Ceci lui a permis d'éliminer la famine et la misère, et commencer la reconstruction du pays. Les élections législatives de l'année dernière ont rempli d'espoir le peuple angolais, ce qui lui a donné le passage vers la deuxième République, la phase de la transition qui, à son tour donne accès à la troisième République dont l'achèvement s'annonce avec la divulgation de la nouvelle Constitution du pays, ainsi que les élections présidentielles prévues pour cette année 2009.

 

Le dernier voyage du président José Eduardo en Chine, en Allemagne et au Portugal où ces nations se sont offertes à porter de l'aide dans la reconstruction, malgré la crise économique, vient couronner ce moment unique que l'Angola est en train de vivre. Non obstat, ces signes positifs, il y a pas mal de signes où l'homme et la femme angolaise souffrent d'humiliation, sont marginalisés de la société de consumation et l'usurpation de la richesse ainsi que d'autres richesses naturelles. Le manque d'eau potable et d'électricité, les conditions des habitations, le nombre réduit des Universités, la culture de la corruption, le degré de morts accentué à cause de maladies qui pourraient être évités, le manque d'emploi des Angolais au détriment des expatriés constituent encore un cadre triste de notre société. C’est pourquoi notre message à nous les SVD est très simple et clair. Il ne se limite pas seulement dans l'annonce du Verbe de Dieu qui parte à la rencontre de toute une génération techniquement capable. Nous avons donc besoin d'une génération capable d'interroger la technique et le développement. Une jeunesse capable de repenser le pays. Au delà de gens préparées à donner des réponses, nous avons fort besoin de gens capables d'apporter des questions. L'Angola n'a pas seulement besoin de cheminer, elle doit surtout découvrir son propre chemin, dans un temps à une vitesse vertigineuse et dans un Angola qui semble ne pas connaître son sort.

 

Le repère offert par des autres ne sert plus, la carte géographique des autres ne porte pas de l'aide non plus. Nous avons besoin de créer nos propres points cardinaux. Ce qui nous intéresse c'est un passé qui ne soit pas chargé de préjugés, nous sommes aussi intéressé par un future qui ne nous arrive pas en forme de dessein comme une ordonnance financière. Nous avons besoin de l'aide, non de la dépendance, nous avons besoin de la fraternité et de la solidarité, pas de complaisance. L'Afrique et l'Angola ont besoin de faire leur chemin, besoin de l'aide et de donation aux autres peuples et nation soeurs, mais toujours consciente que ce sont elles les protagonistes de leur destin.

 

Sur le plan religieux. Dans son histoire, l'Angola reste, en Afrique sub-Saharienne, le premier sol qui a accueilli la foi chrétienne et qui a donné le premier évêque noir. Il possède aussi la première cathédrale de cette même Afrique, il s'agit de Mbanza Congo. Malgré tout cela, il ne reste pas moins qu'il demande encore l'Evangélisation. C'est curieux d'en parler, dans un moment où le Pape justifie sa visite dans notre pays comme une occasion pour célébrer avec nous les 500 années de la première Evangélisation. Beaucoup de paroisses et même de succursales présentent ces défis de l'Evangélisation. Il n’y a pas de doutes que le Saint Père vient en Angola aussi pour visiter ce pays dont la majorité de la population professe la foi catholique et la totalité de la population est constituée de chrétiens. Le Saint Père vient comme l'envoyé du Christ et comme le successeur du Pierre, il vient confirmer cette Eglise dans la foi. Ainsi pour l'Eglise locale, les laïcs et le peuple en général, ce n'est pas seulement une expectative médiatique, c'est surtout un appel à la conscience, dans la préparation des coeurs pour accueillir le message du Saint Père comme un cadeau de la part du Seigneur afin de continuer à cheminer sur la voix de la paix et de la réconciliation. L'Eglise locale doit prendre le devant au sérieux. Quant à nous les missionnaires, nous avons à montrer l'humilité, en imitant la position de Jean le Baptiste: "Il faut qu'il grandisse et que moi je diminue".

 

C'est pourquoi, nous les SVD, nous devons revêtir une attitude d'inculturation et récupérer l'élan missionnaire des premiers évangélisateurs de la foi. Nous avons encore à exprimer l'Evangile à travers un langage nouveau dans un authentique dialogue prophétique, en authentique symbiose avec la culture qui nous accueille. Prendre aujourd'hui une telle attitude, c'est vivre une nouvelle Pentecôte, c'est une condition sans illusion pour rendre effective la catholicité de l'Eglise en Angola et en Afrique dans son avenir.

Nous continuons la Mission du Christ comme notre Messe. Nous sommes des amis du Verbe dans la mesure où nous allons à la rencontre de l'autre avec une attitude de solidarité, de respect et d'amour, conscients qu'au sein du peuple ainsi que dans sa culture il y a déjà des semences du Verbe de Dieu qui y est déjà avant même notre Action Evangélisatrice. (Gaudium et Spes 3)

 

La structure conceptuelle de l'apostolat Ad Extra du XV Chapitre Général dénommée "les quatre dimensions caractéristiques" et le cadre Ad Extra manifesté dans les différents champs comme la spiritualité, la communauté, le leadership, les finances et la formation, doivent nous aider à être une communauté en discernement constant, tout en accord avec nos vies à travers la radicalité de l'Evangile et des Constitutions de la SVD qui constituent notre lecture de l'Evangile. Que cette rencontre des Secrétaires des Missions nous aide à retrouver les chemins pour continuer le levain de la conscience missionnaire, le soin du bien-être des Missionnaires et la recherche de meilleures formes pour obtenir des recours matériaux pour le service de la Mission.

 

Bienvenu en Angola,

Vous êtes chez vous !

 

P. Zeferino Zeca Martins, SVD

Supérieur Provincial